domingo, 31 de agosto de 2014

Entre o sonho e a realidade - Por João Bosco Leal (*)



Entre o sonho e a realidade

Até hoje, milhões de pessoas se perguntam como Júlio Verne pôde ter escrito, ainda no século XIX, livros de ficção científica que anteciparam tantas invenções. O livro "Da terra à lua", de 1865 termina com o disparo de um projetil com o formato de uma bala gigante em direção à lua. No seguinte, "À volta da lua", de 1870, ele descreve a viagem desse projétil, com cinco "passageiros" em seu interior, em direção à lua.

A riqueza de detalhes - como foguetes anexados ao projétil para amortecer a descida na lua, além da aterrissagem do retorno no Oceano Pacífico -, imaginada na data em que foi escrito, ainda impressiona os leitores atuais. Em "Vinte mil léguas submarinas", de 1870, sua obra mais famosa, fala de um submarino, o Náutilus e, no "Volta ao mundo em 80 dias", de 1873, ele relata detalhes gráficos com tanta precisão que até hoje provoca curiosidade em geógrafos.

Ainda na década de 1590, o pirata inglês Anthony Knivet, para se manter submerso, usou um escafandro, armadura de borracha e latão ligada à superfície por um duto, que assegurava a livre respiração e permitia resistir à pressão da água. Só após ser utilizado por séculos, o escafandro pôde ser substituído pelo aqualung - um equipamento individual de mergulho capaz de estender o tempo de exploração submarina -, inventado, em 1943, por Jacques-Yves Cousteau, um oficial da marinha francesa, documentarista, cineasta e oceanógrafo que se tornou mundialmente conhecido por suas viagens de pesquisa, a bordo do Calypso.

Leonardo da Vinci (1452-1519) se destacou como cientista, matemático, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e músico. Literalmente um gênio raríssimo, com ideias muito à frente de seu tempo, um visionário, sonhador e apesar de somente um pequeno número de seus projetos haver sido construído durante sua vida, com sua engenhosidade tecnológica concebeu projetos como o protótipo de um helicóptero, um planador, um tanque de guerra, um veículo auto propelido, o uso da energia solar, uma calculadora, o casco duplo nas embarcações, uma bobina automática e outros inventos menores.

No início do século XX os automóveis já existentes eram caros, difíceis de dirigir e de fazer funcionar, dando a impressão de que era uma indústria sem futuro até que, em 1908, Henry Ford lançou o Modelo T, um carro simples, fácil de usar e bastante acessível, pois era vendido a 850 dólares cada e, com esses requisitos, vendeu 15 milhões de unidades em cerca de 20 anos.

Em 1802 surgiu a ideia de se ligar a cidade de Folkestone, na Inglaterra, à Coquelles, na França através de um túnel, mas só 186 anos depois, em 1988 teve início a construção do projeto do Eurotúnel, concluído em 1994, que passa por debaixo do Canal da Mancha por uma distância submersa de 37,9 Km e a uma profundidade de 75 metros.

Sonhos inacreditáveis há muito poucos anos, como os trens bala, os computadores nos celulares, a internet, Wi-Fi, Bluetooth e os GPS portáteis - manuais ou embutidos nos painéis dos veículos, motos, bicicletas e até em relógios -, já são realidade utilizada por milhões, enquanto alguns já dispõem de itens ainda mais modernos, como os carros elétricos e os movidos a hidrogênio.

Alguns outros sonhos, de execução antes inimaginável, como as estações espaciais, as ilhas artificiais de Dubai, estradas submersas e aeroportos flutuantes nos oceanos, já são ou estão se tornando realidade.

Todos estes exemplos só nos mostram como Monteiro Lobato estava certo, quando escreveu: "Nada do que o homem fez no mundo teve início de outra maneira - mas já tantos sonhos se realizaram que não temos o direito de duvidar de nenhum".

Só três coisas separam o sonho da realidade: o desejo, a dedicação e o tempo.

João Bosco Leal*       www.joaoboscoleal.com.br
*Jornalista, escritor e empresário

domingo, 27 de julho de 2014

COMO PENSA O HOMEM DA RUA - Por HUMBERTO PINHO DA SILVA



  
Na pequena estante de meu quarto de solteiro, havia pouco mais de trinta volumes. Quase todos de Camilo, alguns de Fulton Sheen e Mário Gonçalves Viana, e meia dúzia de Marden.

Nos livros de Marden moldei o carácter, e arquitetei a pouca cultura que adquiri ao longo dos anos, e com Mário G. Viana aprendi a pensar e a formar opinião.

Entre as obras da juventude, a que mais me impressionou, foi “ A Arte de Estudar “ de M. G. Viana. Havia nela curioso diálogo, travado entre professor e aluno do Colégio da Trindade, de Oxford, que obtivera diploma.

“ O estudante acabava de concluir o curso e resolveu ir despedir-se do diretor:

- Senhor diretor: como acabei a minha educação, vou-me embora amanhã.

Ouvindo isto, o austero mestre exclamou, entre surpreendido e irónico:

- Como pode ser isso? Acabaste de dizer, se não estou em erro, que concluíste a tua educação? Pois, meu rapaz, fica sabendo que eu ainda só agora sei que verdadeiramente comecei a saber alguma coisa!”

Na escola, aprende-se o básico, os alicerces, onde assenta a estrutura da nossa cultura. Nada mais.

Saber: aprende-se com a experiência e constante estudo.

Sei bem que se dá mais valor ao “ canudo “, passado pela Universidade, que ao conhecimento adquirido por autodidatismo. É engano, em que muitos costumam cair.

Cesário Verde – a exemplo de outros ilustres intelectuais, conhecedores da ignorância das massas, – matriculou-se na Faculdade de Letras, para obter respeito no mundo da Literatura!…

Erasmo (cito “ Erasme”, por Léon-E. Halkin) também sabia que para se ter mérito reconhecido, é preciso ser doutor e ir ao estrangeiro.

Diz Erasmo: “ Duas coisas, sinto-o, se me tornam verdadeiramente necessárias: em primeiro lugar ir a Itália para dar à minha cienciazinha autoridade desta ilustre estadia; depois obter o grau de doutor. Ambas as coisas são igualmente absurdas: ninguém muda de espírito por atravessar o oceano, como diz Horácio, e não regressarei com mais sabedoria, nem como um cabelo. Mas os tempos são assim; ninguém, mesmo as pessoas mais sensatas, acredita no vosso mérito se não vos poder chamar Mestre.”

Os nossos Mestres da pintura, escultura e música, não o são só por serem geniais, mas porque foram a Paris, e frequentaram o meio artístico da Cidade da Luz.

Do mesmo jeito, como hoje se vai obter o mestrado ou doutoramento, aos Estados Unidos, e a famosas Universidades Europeias.

Dentista de meu pai, tinha no consultório, encaixilhado a prata, certificado de estágio de cinco horas, em São Paulo! …

                  Era para impressionar… O povo, que não sabe avaliar pela própria cabeça, mede o saber, pelos – diplomas, prémios ou pareceres de críticos e comentaristas.

Olvida, que na maioria das vezes, as opiniões são dadas por amizade ou por serem correligionários – no partido politico, ou associação secreta….ou quase.

Se lhe dizem que a obra é boa, que é best-seller, adquirem-na, para oferecerem, afirmando, a pés juntos, que é excecional….e muitas vezes nunca a leram…

Nada há mais influenciável que a opinião pública – basta repetir, afirmar, elogiar na mass-media, para ser vendido e estar na moda.

A competência, o mérito, seja de quem for, só é reconhecido pelo diploma, prémios recebidos ou testemunho de personalidades influentes.

Por isso há tanta gente culta, sem diploma, que passa por ignorante, e tantos diplomados, considerados sapientes, e que nada sabem… mas são escutados atentamente, graças ao certificado que penduraram no escritório.



HUMBERTO PINHO DA SILVA   -    Porto, Portugal

  
publicado por solpaz às 11:04

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Viagem - uma das melhores composições poéticas feitas por um adolescente

Colaboração de Luiz Carlos Nogueira




Uma das mais belas composições poéticas que eu já vi, feita por Paulo César Francisco Pinheiro, letrista, nascido no Rio de Janeiro/RJ em 28 de abril de 1949.

Quando fez seus primeiros versos, morava em Angra dos Reis/RJ, onde conheceu João de Aquino, com o qual fez parceria nas primeiras musicas. Com ele, compôs Viagem, em 1964, quando tinha apenas 15 anos de idade, ou seja, quando ainda era um adolescente.

É muito bem Interpretada pela cantora Marisa Gata Mansa. Apreciem a profundidade do pensamento criativo do autor.






Viagem

Oh tristeza, me desculpe
Estou de malas prontas
Hoje a poesia veio ao meu encontro
Já raiou o dia, vamos viajar
Vamos indo de carona
Na garupa leve do vento macio
Que vem caminhando
Desde muito longe, lá do fi do mar
Vamos visitar a estrela da manhã raiada
Que pensei perdida pela madrugada
Mas que vai escondida
Querendo brincar
Senta nesta nuvem clara
Minha poesia, anda, se prepara
Traz uma cantiga
Vamos espalhando música no ar


Olha quantas aves brancas
Minha poesia, dançam nossa valsa
Pelo céu que um dia
Fez todo bordado de raios de sol
Oh poesia, me ajude
Vou colher avencas, lírios, rosas dálias
Pelos campos verdes
Que você batiza de jardins-do-céu
Mas pode ficar tranqüila, minha poesia
Pois nós voltaremos numa estrela-guia
Num clarão de lua quando serenar
Ou talvez até, quem sabe
Nós só voltaremos no cavalo baio
O alazão da noite
Cujo o nome é raio, raio de luar

terça-feira, 17 de junho de 2014

SACERDOTE VITIMA DE BURLÃO - HUMBERTO PINHO DA SILVA

 









Uma manhã, deste rigoroso Inverno, ao abrir o computador, deparei com mensagem de sacerdote, com quem me correspondo virtualmente.

Trata-se de padre que celebra missa na Igreja, que habitualmente frequento. Sacerdote, entrado em anos, rijo, que ainda se aventura enfrentar, de frente, touros enfurecidos.

Dizia a mensagem o seguinte:

Estava em Londres sem dinheiro para pagar hospedagem. Tinha vergonha de contactar a família, já que esta desconhecia o que tinha ido lá fazer. Precisava de ajuda urgente.

Desconfiei da veracidade da mensagem. Estranhei, que padre idoso, membro de comunidade religiosa, fosse a Londres, em segredo, e viesse pedir-me socorro, confiando-me segredos, que pensei serem vergonhosos.

A mensagem estava mal redigida, para ser de sacerdote de grande cultura, mas fiquei preocupadíssimo.

E se fosse verdade? Iria abandonar o amigo em situação aflitiva?

Como não tinha meio de comunicar, pelo telefone, respondi pelo correio electrónico, recebendo a confirmação do dramático pedido.

No dia imediato informaram-me que haviam invadido o computador do sacerdote e copiados os endereços e códigos de acesso.

Não é caso inédito.

Conheço senhora, divorciada., que o ex-marido, para a colocar em má posição, diante das amigas, conseguiu entrar no computador da ex-esposa - apesar de ter alterado o Palavra-chave, - e relatar, cenas intimas, que a denegriam.

Serve de aviso para que não se aceite mensagens dessas, sem primeiro confirmar, pelo telefone, ou outro meio seguro.

Introduzir e ver o que se passa nos ficheiros de computador estranho, não é tão difícil como pode parecer.




HUMBERTO PINHO DA SILVA   -   Porto, Portugal